quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Filme: A Árvore da Vida



Aviso: este post contém spoiler.

Antes que você se empolgue, esse post não é sobre um filme muito legal que eu acho que você deveria ver. É sobre um filme que me deixou tão confusa que até agora não consegui definir se gostei ou não. 
Vocês já devem ter visto (nem que tenha sido por foto)  algum desfile conceitual, daqueles que exibem roupas que ninguém usaria na vida real. Não é que elas não sejam bonitas; é que o objetivo delas não é esse. São roupas que servem para mostrar tendências, levantar debates e etc.
Pois foi assim que enxerguei "A Árvore da Vida", de Terrence Malick. É um filme de beleza estonteante, com imagens e músicas de tirar o fôlego de qualquer um, mas que não serve como entretenimento.
À semelhança de 2001 - Uma Odisséia no Espaço,  o filme mescla várias narrativas ao mesmo tempo. Conta a história de uma família comum(mas sem seguir alguma ordem cronológica), mostrando a forma rígida com que o Sr. O'Brien (Brad Pitt) cria seus três filhos pequenos. Já a Sra. O'Brien (Jessica Chastain, em uma linda e suave interpretação) é uma mãe muito amorosa. Essa diferença na personalidade dos pais acaba "confundindo" a cabeça dos filhos, por assim dizer, em especial a do filho mais velho.
Jack (o tal filho mais velho), é o principal foco do filme. Percebe-se que ele tem um grande amor pela mãe e, inclusive, ciúmes dela (olha o Édipo aí, minha gente!). Sua relação com o pai, por outro lado, não caminha na mesma direção: apesar de rígido, o Sr. O'Brien não é uma pessoa ruim, mas nem por isso Jack tem uma boa relação com ele. Em alguns momentos do filme, o menino chega a orar a Deus pedindo que Ele o livre do próprio pai. Aqui o diretor explora dilemas como o perdão e os limites do amor (se é que eles existem) dentro da família.
No meio desse fogo cruzado Jack perde um de seus irmãos, e a família toda entra em choque. Diante do sofrimento, o filme mostra outro conflito: a família, que - pelo que dá para entender - é religiosa, começa a questionar a existência de Deus, e é então que surgem cenas espetaculares mostrando a vastidão do universo. Não sei dizer se a intenção do diretor era defender a existência ou não de Deus, ou se o que ele queria era mostrar que nosso sofrimento é insignificante diante da grandeza do universo. Deixo vocês tirarem suas próprias conclusões.
Ah, e em boa parte do filme aparecem cenas com o Jack adulto (Sean Penn), ainda com conflitos internos e uma relação esquisita com o pai. Para complicar ainda mais a história, há algumas cenas com os dois Jack's juntos (o homem e o menino), cenas que, pelo que eu entendi, devem se passar na própria cabeça dele. Assim é A Árvore da Vida: complicado de entender. E exatamente por ser tão complicado que decidi entregar o jogo e contar a história, coisa que eu nunca havia feito aqui no blog. Se eu não fizesse isso, não daria para escrever uma linha sobre o filme, que é um dos mais densos que eu já vi.
E isso porque nem falei que o filme é, como posso dizer...monótono. Não por causa da história em si, mas é que todos esses fatos se desenrolam de forma bem lenta (só que depois de ter assistido o já citado 2001 - Uma Odisséia no Espaço, confesso que esse filme foi fichinha)...
Por tudo o que eu acabei de dizer, vocês podem achar que A Árvore da Vida é uma salada de frutas. Pode ser que seja mesmo, não vou questionar ninguém. O ponto é que poucas vezes eu vi um filme conseguir retratar o que se passa no âmago de uma pessoa com o realismo que esse filme fez, e talvez por isso o filme seja tão confuso, afinal a nossa mente não o é?

3 comentários:

  1. Monótono ou não, vc despertou minha curiosidade. Vou assistir o filme.

    Peço que, sempre que puder, continue escrevendo. É bom ver na internet textos descontraídos e ao mesmo tempo escritos por seres pensantes.

    Fernando

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  2. Ei? Me deixou curioso pra assistir esse filme hein? Mesmo você contando praticamente todo o filme, vou tentar assistir ele.

    Já viu o Courageous? Depois assiste e passa aí uma resenha hehehe

    Abração

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  3. Kkkkk, deixei todo mundo curioso! rs

    Pedido anotado, Dário! Será a próxima resenha ;)

    Abraços, e obrigada pela visita aqui no blog!

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