sábado, 7 de janeiro de 2012

Ajustando a perspectiva

Viver em sociedade tem suas vantagens. Somos seres sociais, precisamos de contato humano para desenvolvermos nossas capacidades. Contudo, não foram essas vantagens que me motivaram a escrever hoje. Foram os 'contras' da vida em grupo.
Faço parte do grupo dos que acreditam que estamos em uma via de mão dupla: ao mesmo tempo que influenciamos as estruturas sociais, somos influenciados por elas. Em outros termos: enquanto impactamos a sociedade (não importa em que grau), ela nos influencia de volta, e essa influência pode se tornar uma grande vilã em muitos sentidos.
Veja suas metas, por exemplo. Elas não foram influenciadas pelo ambiente em que você vive? Com certeza, e, até aí, tudo bem. 
Mas sabe quando a influência social se torna uma vilã? Quando ela te leva a estipular metas que não tem nada a ver com você. Aí quando você não alcança a meta (ou mesmo se alcançar) fica frustrado. 
Veja o que acontece em Brasília. A 'cultura de concursos' aqui é tão forte que é difícil se manter alheio a ela. A maioria dos brasilienses estipularam que passar em concurso é o modelo de vida ideal, então os que não passam ficam frustrados por não alcançarem esse ideal. Frustrados por não preencherem as expectativas alheias. O negócio é tão sério que muitos nem se abrem para possibilidades que não sejam concursos (ok, admito, não há tantas possibilidades por aqui. Mas a questão não é essa). Não questionam nem o trabalho que teriam que desempenhar. Na verdade isso não importa, contanto que pague bem.
Só nesse exemplo específico já consigo enxergar vários problemas trazidos pela influência social: frustração (por não passar na prova ou por passar e fazer algo que odeia), pessoas acomodadas (a maioria se acomoda depois de alcançar a meta), supervalorização do status social (tem muita gente que quer passar em concurso  apenas pelo status!) e etc...
Aí eu me pergunto: não seria melhor tentar ajustar nossas perspectivas cada vez que percebêssemos que a influência social está nos fazendo mal, ao invés de cedermos à ela?
Há algumas linhas atrás pedi que você visse se suas metas foram ou não influenciadas pelo meio. Chegamos à conclusão de que foram. O que eu peço agora é que você tente analisar até onde o meio te influenciou e até onde você teve autonomia na definição dessas metas. Se o meio teve mais influência nas suas escolhas do que sua opinião própria, está na hora de repensar seus objetivos. Para começar a fazer isso, é preciso ajustar sua perspectiva.
Ajustar a perspectiva é tentar ver as coisas com um novo olhar. É como colocar óculos novos, com o grau modificado. Voltemos ao exemplo dos concursos. Ao invés de ficar pensando que seus amigos estão trabalhando no órgão tal ou que fulaninho está recebendo tanto (tirei esses exemplos de casos reais), veja se você quer mesmo aquilo. Pense que depois de entrar em um concurso você vai se acomodar e dificilmente tentará outra coisa na vida. E se é para fazer uma coisa só pelo resto da vida, que ao menos seja algo que você goste, não é?
Esse novo olhar funciona para as outras coisas também. Para que ele funcione, você só precisa conhecer sua personalidade e seus limites. Existem coisas que dão muito certo para alguns e não combinam nem um pouco com outros. Cuidado para não viver uma vida miserável de tanto querer se encaixar no padrão dos outros, de tanto querer as mesmas coisas que eles. Tenha suas próprias metas, mesmo que os outros não a valorizem tanto. O que importa é que elas serão SUAS.

P.S: Uma vez falei disso nesse post.


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