quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Código Florestal no JN!

Começou no Senado a votação das mudanças feitas no texto do Código Florestal. O assunto já gerou uma infinidade de debates na esfera governamental e na sociedade civil, e não foi à toa, já que atinge diretamente a vida de milhares de brasileiros.
Em maio publiquei um post sobre o novo Código Florestal, com o intuito de auxiliar quem estava por fora da discussão. Pois bem, naquela mesma época o novo texto foi aprovado na Câmara. Isso porque, claro, boa parte dos nossos deputados não sabe muito sobre responsabilidade. Quanto mais responsabilidade ambiental...
Depois disso, o projeto seguiu para o Senado, que fez várias alterações no texto, alterações estas que, apesar de insuficientes, amenizaram um pouco a pataquada feita pela Câmara.
Um dos problemas que, acho eu, tem gerado tantos entraves à formatação do novo código é que o conceito de sustentabilidade muitas vezes tem sido distorcido. Mal visto, até. 
Defender a sustentabilidade não devia ser apenas coisa de ambientalistas, mas sim de qualquer produtor que pretenda se manter no longo prazo. Por quê? Bem, vou tentar explicar isso de forma bem tosca (e simplista) para ilustrar meu raciocínio:
Digamos que um homem abra uma fábrica de suco de milenanga (!), fruta que só nasce em terras úmidas, relativamente próximas a fontes d'água . Ele passa a cultivar a fruta na sua fazenda, para suprir sua pequena fábrica. Aí seu suco começa a fazer muito sucesso - afinal é uma fruta muito especial -, então o homem decide aumentar a produção e estende seu cultivo até a beirinha do córrego que passa na sua fazenda (depois de claro, tirar as árvores que estavam ali antes e "limpar" o terreno). 
Mas então algo inesperado acontece: o solo ao redor do córrego começa a se desgastar! Depois a situação chega a um ponto crítico e o córrego passa a secar, desencadeando um desequilíbrio em todo aquele ecossistema. Resultado: acaba sua produção de milenanga!
Se esse homem tivesse sido sensato, ele teria mantido um sistema de manejo para aumentar sua produção sem ter que desmatar a vegetação nativa ao redor do córrego. Com isso, ele teria seu negócio até hoje.

Ok, ok, antes que venham me apedrejar, eu avisei que o exemplo era tosco, rs. Tosco mas com uma moral: sustentabilidade é algo bom para os negócios. Não só pela questão do equilíbrio ambiental (que ela traz) mas também porque é uma ferramenta de marketing eficaz. Melhora a imagem do empreendimento. O consumidor de hoje (principalmente no mercado internacional) quer produtos "ambientalmente sustentáveis", e aceita pagar por isso.

Voltemos agora ao Código Florestal. Essa semana o Jornal Nacional mostrou uma série de reportagens falando sobre os principais entraves envolvendo a aprovação do novo texto. Achei legal compartilhar com quem não viu:







Gostei dessa série porque abordou um lado pouco mostrado: o dos pequenos produtores rurais que se beneficiaram por proteger o meio ambiente.

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