sábado, 11 de junho de 2011

Dia dos Namorados


Dia dos namorados chegando e todo mundo fica naquela atmosfera romântica. Até mesmo os solteiros são envolvidos por ela. Não dá para escapar, a gente encontra coração e bichinho de pelúcia para tudo o que é lado.
Mesmo sendo uma data comercial, o Dia dos namorados tem o seu valor: lembra os casais da necessidade de serem carinhosos e gentis uns com os outros, coisa que muita gente já esqueceu. Já vi muitos casais que viviam em pé-de-guerra mas sempre se amansavam nessa época do ano.
É bonito ver os casais juntinhos, trocando bilhetinhos de "eu te amo", mas eu sempre me pergunto: será que a gente sabe mesmo o que é o amor? Digo sem medo de errar que esse é o sentimento mais subestimado que existe, até porque não é só um sentimento, mas também uma atitude. Amar por amar não basta; o sentimento precisa ser demonstrado.
E tem outro porém: quem nunca disse "eu te amo" e depois viu que o sentia não era exatamente amor? É o tipo de coisa que todo mundo faz alguma vez na vida, cedo ou tarde. Banalizamos tanto essas três palavrinhas que quando alguém fala isso até duvidamos que a pessoa saiba do que está falando.
Esses dias acompanhei um exemplo tácito de uma pessoa que ainda não entendeu a real essência do amor. Olha o "brilhante" diálogo:

Homem:  Eu te amo.
Mulher (emocionada): ....
Homem: Mas e você, não me ama?
Mulher: Ainda não sei, sabe...estou muito feliz com você, só não me sinto preparada para dizer isso ainda. Você entende, né?
Homem: Entendo? Não dá para entender isso não! Quando eu disse que te amo, queria ouvir um "eu te amo" também!
Mulher (estarrecida): ...

Esse casal esbarrou em um princípio básico do amor: ele é grátis, e isso significa que quando você ama alguém, não pode cobrar reciprocidade. Claro que todo mundo que ama deseja ser correspondido, mas isso NUNCA PODE SER COBRADO.
Com toda essa situação me lembrei de um poema do Drummond que, entre outras coisas, cita esse princípio inerente ao amor.

As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

Carlos Drummond de Andrade

Entenderam o que eu quis dizer? O amor é a única coisa que não tem obrigação de nada, ele é construído na espontaneidade.
Tendo dito isso, quero apenas desejar um feliz dia dos namorados para todos e um mais feliz ainda para os reais enamorados ;)

4 comentários:

  1. Muito bom Mileninha. Lendo seu texto me lembrei do sacrifício de Cristo que por nos amar se entregou independente da escolha que faríamos posteriormente por Ele. E é interessante que a própria Bíblia já afirma que Ele já nos amava primeiro. Além do que uma grande prova desse amor foi sua própria morte que nos gerou salvação que é um dom gratuito! Isso é fantástico e ainda corrobora com o texto de Drummond! Só mais uma coisa. Nesse poema Drummond diz que ama por uma falta de amor a si próprio e olha que massa: uma coisa que acho muito interessante dentro da lógica de amor de Cristo é justamente o fato Dele apresentar um amor que nega um próprio eu em função do outro e tal ato difere o amor demonstrado por Ele de qualquer outro. O amor é auto-explicativo, não precisa se justificar pra ser dito ou existir, né?

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  2. Excelente o seu comentário, Nise. Se pudesse, curtiria mil vezes ;)
    O que eu acho demais nessa história toda é que Deus nos amou tanto que abriu mão de tudo que lhe era mais precioso para nos dar a opção de ter uma vida com Ele. Ele queria recuperar a intimidade conosco. Isso é muito lindo!

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  3. Nuss... A Denise é adotada mesmo. Ela fala umas coisas que tenho que ler umas 10 vezes pra entender. Meu Deus!!! kkkkk
    Mas lindas as duas palavras: tá de parabéns Mileninha!!! Nunca pensou em escrever um livro?!?! E para Denise: idem idem Mileninha, hehehe
    Bjins

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  4. Até que já pensei sim. Na verdade, ainda penso. Quem sabe um dia, né? rsrs
    E não se preocupe com a Denise não, ela tem seus momentos como pessoa normal =P

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