terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Texto do dia: Olavo Bilac

O PÁSSARO CATIVO

Armas, num galho de árvore, o alçapão;
E, em breve, uma avezinha descuidada,
Batendo as asas cai na escravidão.

Dás-lhe então, por esplêndida morada,
A gaiola dourada;
Dás-lhe alpiste, e água fresca, e ovos, e tudo:
Por que é que, tendo tudo, há-de ficar
O passarinho mudo,
Arrepiado e triste, sem cantar?

É que, criança, os pássaros não falam.
Só gorgeando a sua dor exalam,
Sem que os homens os possam entender;
Se os pássaros falassem,
Talvez os teus ouvidos escutassem
Este cativo pássaro dizer:

"Não quero o teu alpiste!
Gosto mais do alimento que procuro
Na mata livre em que a voar me viste;
Tenho água fresca num recanto escuro
Da selva em que nasci;
Da mata entre os verdores,
Tenho frutos e flores,
Sem precisar de ti!
Não quero a tua esplêndida gaiola!
Pois nenhuma riqueza me consola
De haver perdido aquilo que perdi . . .
Prefiro o ninho humilde, construído
De folhas secas, plácido, e escondido
Entre os galhos das árvores amigas . . .
Solta-me ao vento e ao sol!
Com que direito à escravidão me obrigas?
Quero saudar as pompas do arrebol!
Quero, ao cair da tarde,
Entoar minhas tristíssimas cantigas!
Por que me prendes? Solta-me, covarde!
Deus me deu por gaiola a imensidade:
Não me roubes a minha liberdade . . .
Quero voar! voar! . . ."

Estas cousas o pássaro diria,
Se pudesse falar.
E a tua alma, criança, tremeria,
Vendo tanta aflição:
E a tua mão, tremendo, lhe abriria
A porta da prisão . . .



segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Prelúdio

"A boca fala do que o coração está cheio". Atualizando a frase para o blog, ficaria algo como "A mão escreve sobre o que o coração (ou o cérebro) está cheio.
É por isso que não tenho escrito nada. Além da correria que tem sido minha vida nos últimos meses, não tive muitos pensamentos nesse tempo que tive vontade de compartilhar, e eu havia dito à mim mesma que só iria escrever novamente quando eu realmente quisesse falar alguma coisa. Decidi isso porque durante vários meses me senti obrigada a escrever no blog , aí a qualidade dos posts foi caindo e, assim, acabei falando coisas com as quais hoje nem eu concordo. Acho melhor escrever menos, desde que eu fale sobre coisas que realmente me instiguem.
Apesar de ter mudado de opinião em relação à várias coisas que escrevi, não pretendo apagar os posts anteriores. Decidi deixá-los aí, como um acervo de idéias passadas, para que  eu veja o quanto e como tenho mudado. Acho que as pessoas devem fazer esse tipo de reflexão constantemente, independente do fato de terem ou não um blog. É sempre válido olhar para dentro: descobrimos nossos pontos fortes, nossos defeitos e, principalmente, aquilo que devemos mudar para crescermos. Muita gente faz essa avaliação na virada do ano, mas esse deveria ser um processo contínuo, quase que um exercício diário.
Vale dizer que essa auto-análise é apenas metade do caminho em relação à mudança. Ela não vale nada se não vier acompanhada de atitudes. Descubra o que precisa ser mudado na sua vida e se esforce por isso. E lembre-se de algo que Einstein disse: fazer as mesmas coisas todos os dias e esperar resultados diferentes é insanidade. Tente abordagens distintas para conquistar seus objetivos.
Espero sinceramente que em 2013 consigamos vencer a procrastinação, o medo de coisas novas e as dúvidas que sempre rondam nossa cabeça e tentam nos tirar o foco.


quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Agonia

Querer dizer e se calar.
Tentar fugir, mas estacionar.
Correr, sem sair do lugar.

Gritar e a voz não sair;
querer ter e não poder,
e, de tanta agonia, parar de respirar.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Chuchu ou Pepino?

Certa vez ouvi que chuchu tem gosto sim: gosto do que estiver com ele. Assim, se estiver misturado com algum tipo de carne, terá gosto de carne; se estiver com batata, terá gosto de batata e assim por diante.
Já com o pepino a coisa é diferente: você pode comer um prato super elaborado e ainda assim perceber que tem pepino ali. É muito difícil disfarçar seu sabor.

Quem acompanha o blog já deve ter percebido que esse post não tem nada a ver com salada. É engraçado como pequenas coisas cotidianas me fazem pensar na vida, no comportamento humano e etc. E a história do chuchu e do pepino também fez.

Existem vários tipos de pessoas, entre elas as que se parecem com o chuchu e as similares ao pepino. As "pessoas-chuchu" não tem personalidade e são influenciadas facilmente. Se você não desenvolver uma opinião própria a respeito do que acontece ao seu redor, será sempre levado por qualquer vento. E quando alguém é levado cegamente pelas idéias dos outros, perde a oportunidade de fazer a diferença através das suas próprias idéias.
Ser chuchu é algo trágico. Todos fomos chamados para fazer a diferença no mundo. Isso até é bíblico (Mt. 5:13-16).
O bom é ser pepino: tão marcante que, por mais que se tente, não dá para escondê-lo. Ele pode se apresentar de diversas formas em um prato, estar misturado com o que for e, ainda assim, preservar sua identidade. 

Então, qual deles você escolhe ser?


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Coisas que entendi

Temperamento é diferente de caráter. Uma pessoa extrovertida pode prestar sim, enquanto outra aparentemente quieta pode ser falsa.

A aparência pode ser uma armadilha; não seja levado por elas.

Há lágrimas mais alegres que muitos sorrisos.

Um corte de cabelo pode levantar seu astral  mais do que imagina.

Há duas coisas praticamente impossíveis de entender: a mente feminina e as atitudes dos homens. Por isso inventaram a psicanálise.

Inconstância é uma característica dos seres humanos, e não apenas das mulheres.

A maioria das pessoas que dizem "eu te amo" não querem, realmente, dizer isso.

Amor não é teoria; é prática.

Deus se preocupa menos com religião do que a maioria de nós.

Não importa o que você diz; o que fica marcado é o que as pessoas entendem do que você diz. Por isso, fale sempre o mais claro possível.

Não são os "nãos" que ouvimos que nos paralisam; é o medo de tentar. Esse nos congela antes que cheguemos a ouvir um "não".

A capacidade do ser humano de fazer besteira é mesmo infinita.

Quantidade nunca significa qualidade, principalmente no que diz respeito aos amigos.

Sem sabedoria, a inteligência é como um manual que você decorou.

A cultura influencia até a mais simples das nossas idéias.

A maioria dos "politicamente corretos" só falam da boca para fora. Nunca puseram suas idéias em prática.

Tem político decente sim. Mas a gente não vota neles, porque têm pouco apoio e não aparecem muito na TV, que a propósito, é quem comanda as eleições.

A maioria de nós nasce alienado, cresce alienado e vai morrer alienado.

domingo, 29 de julho de 2012

Brilhantismo


Nos últimos tempos tenho pensado muito em coisas como dons, talentos e paixões, e cheguei à conclusão de que, por mais habilidades que você possua, só será de fato brilhante naquilo que ama fazer.
O brilhantismo está ligado à paixão; aquilo que não te atrai, não te estimula. Se você não gosta do que faz, provavelmente terá menos iniciativa no trabalho, produzirá menos e será facilmente superado. Resultado: total estagnação no seu ambiente de trabalho.
Se, por outro lado, você ama o que faz, terá mais disposição, e assim também aumentará a sua produção. Até seu cérebro trabalhará melhor: a maioria das pessoas se tornam mais criativas quando não estão vivendo uma situação de tensão/estresse.
Por isso, o melhor seria que todos encontrássemos nossas paixões o mais cedo possível, o que evitaria um grande desperdício do nosso tempo. Daí a importância de se investir nos hobbies. A gente (me incluo no grupo) delega a eles um papel secundário nas nossas vidas, como se fossem apenas entretenimento, sem perceber que eles podem ser a chave do nosso sucesso profissional. Pensem comigo: o que são hobbies? Por acaso não são coisas que você gosta de fazer por simples e puro prazer? Então... investir nos seus hobbies é uma boa forma de descobrir sua verdadeira paixão, assim como seus talentos e habilidades. Depois basta planejar uma forma de transportar essa maravilhosa descoberta para a sua vida profissional. 

Faça o que você gosta. Esse será seu maior passo rumo ao brilhantismo.


sexta-feira, 13 de julho de 2012

Dia Mundial do Rock

Depois do meu primeiro post meloso (que, vamos combinar, eu tinha o direito de escrever depois de 1 ano), o ideal é mudar de assunto para tirar esse açúcar todo que ficou no blog. Então, virando o disco, vamos falar de Rock and roll!
Hoje, 13 de julho, comemora-se o Dia Mundial do Rock. Surgido na década de 50, fruto da mistura de vários ritmos - como country e R&B -, o rock logo se espalhou pelo resto do mundo por sua energia contagiante. É nessa época que surgem nomes como Bill Haley e Elvis Presley, o primeiro "rockstar", que com voz e estilo inconfundíveis alavanca a popularidade do ritmo.

Bill Haley cantando 'Rock around the Clock', considerado por muitos 
como o primeiro sucesso do rock

Na década seguinte, que ficou conhecida como a "Era de Ouro do Rock", surgem grandes nomes no cenário musical internacional, como os Beatles, Bob Dylan e os Rolling Stones (que, a propósito, acabam de completar 50 anos de carreira). Surgem também inúmeras bandas, cada qual com sua própria maneira de apresentar o rock, que se tornou uma febre, principalmente entre os jovens. Esse sucesso se deu não apenas pelo ritmo, mas também pelas mensagens contestadoras das músicas do período, que desencadearam o famoso Festival de Woodstock, em 1969. No Brasil, é a vez de Roberto Carlos estourar nas paradas de sucesso.
A partir da metade da década de 70 é possível encontrar diferentes "tipos" de rock, cada qual com o seu séquito de seguidores, como o hard rock. Vem dessa época o sucesso de bandas como a Queen, liderada pelo sempre lembrado Freddie Mercury.

'Somebody to Love' uma das minhas canções preferidas da Queen

Daí para frente é impossível tentar classificar o rock como um estilo único. Ele se tornou um grande guarda-chuva debaixo do qual era possível encontrar dezenas de estilos diferentes, o que foi visto por muitos como um empurrão final para que o ritmo entrasse em decadência, principalmente ao se misturar com o pop.
Mas tudo é uma questão de perspectiva. Essa mistura, que muitos apontaram como a decadência do rock, fez com que ele se tornasse um estilo tremendamente democrático, com tantos formatos e sonoridades diferentes que é praticamente impossível não gostar de nenhum. O rock ainda tem muita qualidade. Basta procurar nos lugares certos.



OBS: Sei que dei um salto cronológico depois do ínicio da década de 80, mas é que nessa época o rock começou a tomar as formas que nossa geração já conhece. Peço desculpas aos especialistas de plantão ;) Aceitem o texto como uma simples homenagem e não como uma retrospectiva profunda, ok?  Abraços!

domingo, 8 de julho de 2012

O Brasil dos Silvas


Essa madrugada foi diferente. Nas ruas, barulhos de fogos estourando. A adrenalina estava no ar, de forma quase palpável, como durante uma partida de Copa do Mundo. Dentro das casas, os televisores ligados sinalizavam que o Brasil inteiro esperava ver a luta histórica entre Anderson Silva e o americano Chael Sonnen. 
O alvoroço em torno dessa luta deve-se, em grande parte, ao temperamento do americano, que por diversas vezes fez comentários ridicularizando o Brasil e a família do lutador Anderson Silva.
Chega então o momento mais aguardado da noite. De um lado do ringue, Chael Sonnen, o falastrão que se tornou a antítese de tudo o que o esporte valoriza. Por seu comportamento típico de quem não sabe perder - deselegante, como diria Sandra Annenberg -, Sonnen entra no octógono debaixo das vaias do público brasileiro que tomou conta da arena. 
Do outro lado, Anderson "Spider" Silva, atleta talentoso, prudente e conhecido pelas lutas limpas e pelo espírito esportivo. O brasileiro, que caiu ainda mais nas graças do público depois das ofensas do Chael, se mostra concentrado e pronto para a luta.
A batalha começa. Como na luta anterior contra o brasileiro, Sonnen leva a disputa para o chão. O primeiro round acaba com vantagem do americano.
Com o incentivo dos brasileiros - em Las Vegas e no Brasil -, começa o segundo round, e após poucos movimentos (e um vacilo de Chael Sonnen) Anderson Silva nocauteia o adversário, para nossa alegria!
Essa luta foi épica. Parecia um duelo nos moldes de antigamente, quando os homens lutavam para limpar sua honra. Sonnen queria provar que era melhor que o Spider; o brasileiro, por sua vez, assumiu a grande missão de defender a pátria e a família.
Esse caráter "missionário" assumido por Anderson Silva envolveu o Brasil e fez com que vibrássemos diante de sua vitória. O orgulho com que o lutador defendeu o país levantou a moral de todos os seus compatriotas. Por conta disso, é possível dizer que ele está se personificando no novo herói brasileiro. Um herói que (graças a Deus!) tem princípios e valoriza a família. Um atleta com bom comportamento em quem, de fato, os nossos adolescentes podem se espelhar. Após a luta, Silva ainda alfinetou seu adversário com classe e humildade, pedindo que todos os brasileiros aplaudissem Sonnen demonstrando que "no Brasil tem gente educada". Matou na unha.
A vitória do Spider trouxe ao Brasil uma alegria que há muito o futebol não traz. Alegria e orgulho, por ver um brasileiro no topo do mundo sem que a glória lhe suba à cabeça (e tomara que ele continue assim). Valeu, Anderson. Hoje o Brasil inteiro tem o sobrenome Silva.

sábado, 23 de junho de 2012

Rio+20 e blá, blá, blá...




Não é necessário que ninguém se dê ao trabalho de perguntar por que eu não escrevi nada sobre a Rio+20; responderei isso agora.
 Já esperava que o resultado da conferência fosse decepcionante. Na verdade, esse é o sentimento que geralmente aflora em mim após praticamente todas as conferências que versem sobre meio-ambiente. No que diz respeito a esse assunto, a decepção já se tornou um hábito.
Para os muitos que não sabem do que eu estou falando (o que, confesso, também é decepcionante), a Rio+20 foi a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável que aconteceu nos últimos dias no Rio de Janeiro. O nome refere-se à Eco-92 (também conhecida Cúpula da Terra), ocorrida há 20 anos, também no Rio, e que “oficializou” o conceito de desenvolvimento sustentável. A Eco-92 foi a maior conferência da história, e trouxe avanços significativos na forma como os Estados viam a questão ambiental.
Faz-se necessário dizer, contudo, que apesar do grande impacto que a Eco-92 causou no sistema internacional, até hoje os compromissos assumidos nela não foram plenamente cumpridos. Como esperar então que os países cumpram novos compromissos?
(In)felizmente, os Estados não precisam se preocupar com isso. Quero dizer, não muito. Acontece que não há praticamente nenhum novo compromisso a cumprir. Isso mesmo: o resultado da Rio+20 foi apenas mais um documento fraco, sem grandes ambições.
Há quem defenda o documento final da conferência. Admito, ele tem seus avanços, mas esses são pequenos quando comparados com as necessidades reais do planeta. Mas, como eu disse, isso já era esperado. Não me era possível acreditar que a Rio+20 fosse uma conferência de fato revolucionária, já que, no que diz respeito à questão ambiental, sempre faltou vontade política dos governos (principalmente dos países desenvolvidos). Considerando a atual crise econômica, essa vontade se atrofiou ainda mais.
A crise interfere bastante nos debates sobre desenvolvimento sustentável. Mudar os atuais padrões de consumo não seria lucrativo no curto prazo. Com a crise, o dinheiro voltou a ser o fiel da balança em todas as decisões internacionais. Aliás, ele alguma vez deixou de ser?
Ontem, em uma declaração, a presidenta Dilma disse que “A Rio+20 é o início de uma caminhada para construirmos uma sociedade sustentável”.
Início de uma caminhada? Mas o início da caminhada foi em 1992, na Eco-92! Isso para não falar da Conferência de Estocolmo, em 1972. A essa altura do campeonato o mundo já deveria estar CORRENDO atrás do prejuízo ambiental que todos causamos. O momento para “começar a caminhada” já passou. Não temos mais tempo para isso. Precisamos com urgência de compromissos específicos, com aplicabilidade prática... Mas isso foi postergado novamente para uma próxima conferência...
Eu só me pergunto até quando as autoridades – especialmente dos países desenvolvidos – continuarão a empurrar os problemas ambientais com a barriga.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Pessoas

O ser humano é extremamente complexo, cheio de talentos e idéias adormecidas. Por isso é tão bom quando você encontra alguém que te faz ser "a melhor versão de você mesmo" (perdão pelo clichê). 
O fato é que existem pessoas que extraem o melhor da sua personalidade, perto das quais você descobre habilidades que nem sabia que tinha. Tais pessoas contribuem para o nosso crescimento e nos tornam melhores; elas literalmente trazem à tona nossos talentos adormecidos. Se você deu a sorte de encontrar alguém assim (seja amigo ou namorado), não se afaste dele(a). 
Por outro lado, existem aqueles que despertam o nosso "dark side". Chega a ser comum ouvirmos alguém falando que não gosta de como age perto de outra pessoa. Se você já disse isso, meus parabéns: é sinal de que você se conhece e percebe quando está sendo diferente. O perigo é quando alguém desperta seu lado negro e você nem percebe. Eu diria que essas são as más influências: gente que te leva a fazer coisas não tão legais sem que você note que está indo para o buraco...
A melhor forma de escapar das más influências é ficando atento. Comece a observar se o seu comportamento tem mudado muito em virtude das pessoas que te rodeiam. Se tiver mudado, observe também se essas mudanças foram benéficas. Se as pessoas que sempre estiveram por perto (a família, principalmente) não gostarem das mudanças que estão ocorrendo com você, abra o olho. Ouvir pai e mãe nunca matou ninguém.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Enterros

Você entra na capela e vê o corpo ali no meio, cercado por sua platéia chorosa. Todos tristes com aquela inesperada situação. A mulher do defunto está debruçada sobre o corpo e, entre soluços, grita que não é capaz de se separar do marido; o irmão está frustrado por não ter dado valor suficiente ao homem que estava no caixão; os amigos se revezam: ora para socorrer a esposa, ora para consolar o irmão e - vez ou outra - para desfrutarem de seus próprios momentos de desamparo.

Triste cena.

***

Enterros são difíceis. Graças a Deus por não passarmos por coisas assim todos os dias...ou será que passamos?
A menos que você seja um coveiro, dificilmente presencia enterros desse tipo toda hora. Mas isso não quer dizer que você não veja OUTROS TIPOS de enterro.
Pense bem: o que é um enterro? Não é um momento em que você se despede para sempre de um ente próximo? Então...e quem seria mais próximo de você do que você mesmo?
Calma, eu explico. Todos os dias enterramos partes de nós. Enterramos emoções, sentimentos, idéias, sonhos...às vezes, também enterramos outras pessoas, banindo-as de nossas vidas. 
Como os enterros comuns, esses também são bastante dolorosos. A diferença é que, ao contrário do que acontece em um cemitério, esses "enterros pessoais" podem ser muito bons.
Há momentos na vida da gente nos quais precisamos nos desgarrar de algumas coisas. Sabe aquele sentimento que te prende há tanto tempo? Enterre. Aquela pessoa que só te trouxe dor? Enterre. Os velhos paradigmas que você carrega? Enterre. E os hábitos ruins? Enterre, enterre tudo, e dê lugar ao novo.
Como eu disse, nada disso é fácil. Vai doer, você vai querer se agarrar ao "defunto" (que aqui simboliza qualquer coisa) por achar que não sobreviverá sem ele. Mas sabe, depois de um tempo você supera. E algo novo ocupa aquele lugar...
Nossos sentimentos e planos também tem um ciclo de vida, e tem horas que, por mais difícil que seja, precisamos deixá-los ir. Eu, particularmente, estou na minha fase de coveira...